"Viver sem filosofar é o mesmo que ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir" (Platão)
domingo, 29 de janeiro de 2012
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
A virtualidade pós moderna
A virtualidade pós moderna
A
partir da década de 1960, e no Brasil mais marcadamente no início da década de
90 do século XX, uma série de inovações científicas e tecnológicas convergiram
para a criação de novos paradigmas. As redes interativas de computadores
cresceram e criaram novos canais de informação e comunicação que promovem
mudanças nas relações sociais, econômicas e culturais. A emergência da
Internet, com a formação de comunidades virtuais de interação on-line, foi
vista por muitos como o surgimento de novos padrões de relações sociais
substituindo as antigas. Os críticos da Internet argumentam que a rede promove
o isolamento social e um colapso da comunicação e da vida familiar. A
sociabilidade real seria substituída por uma aleatória e virtual, baseada em
identidades falsas e representação de papeis. Assim, a Internet foi acusada de
induzir as pessoas apenas a viver suas fantasias on-line. Hoje, décadas depois,
essa visão está ultrapassada. Com a difusão em massa da Internet, ela foi apropriada
pela prática social em toda a sua diversidade, e essa apropriação tem efeitos
sobre essa mesma prática. Pesquisas recentes mostram que a representação de
papéis e a construção da identidade via Internet são uma pequena parcela da
sociabilidade baseada na rede, e esse tipo de prática concentra-se nos
adolescentes (Castells, 2001). A Internet não é um terreno onde prevalece a
fantasia, mas uma extensão da vida como ela é, em todas as suas dimensões. E
mesmo nos ambientes em que a representação de papeis é comum, esses papeis são
moldados segundo as vidas reais dos “personagens”: “[...] a maioria dos
usuários sociais da comunicação mediada por computador cria personalidades
on-line compatíveis com suas identidades off-line” (Baym, 1998 apud Castells, 2001,
p. 100).
Contrariando a ideia de que a Internet provocaria uma alienação do mundo real, estudos atuais mostram que ela não tem um efeito direto sobre a configuração da vida cotidiana em geral: ela apenas acrescenta a possibilidade de mais um espaço de comunicação, assim como faz o telefone celular. Além disso, não é que as pessoas se isolem da vida social real para viver uma virtual, mas sim que as que já vivem em estado de isolamento social na vida real encontram na Internet uma possibilidade de viver um tipo de interação social, ainda que não presencial. “A Internet parece ter um efeito positivo sobre a interação social, e tende a aumentar a exposição a outras fontes de informação. [...] os usuários da rede freqüentam mais eventos de arte, leem mais, veem mais filmes [...] do que os não-usuários” (Castells, 2001).
Assim, em geral, a sociabilidade off-line é potencializada pela on-line. Quanto à construção da identidade, verifica-se que está entre os adolescentes a maior variabilidade de representações de papeis em linha. Isso se dá porque estas pessoas estão na fase de “descobrir a identidade e de fazer experiências com ela, de descobrir o que realmente são ou gostariam de ser” (Castells, 2001, p. 99).
Com a rede surgiu a noção de “comunidade virtual”, como novo suporte para a sociabilidade. Contudo, o termo “comunidade”, pela sua carga ideológica, confundiu formas diferentes de relação social e provocou o debate entre os defensores da forma tradicional de comunidade (espacialmente limitada) e os progressistas, que optam pela comunidade ilimitada e livre da Internet. Essa discussão, na verdade, é mais antiga, e já era travada entre os defensores da tradição comunitária rural (pequenos grupos próximos) e os defensores da urbanização (famílias com laços fracos entre si, espalhadas na metrópole anônima).
O fato, porém, é que as comunidades culturalmente homogêneas e limitadas nunca existiram na prática (Castells, 2001). Desse modo, com a Internet, surge a necessidade de se redefinir o conceito de comunidade, dando menos ênfase ao aspecto cultural e enfatizando a comunidade como um apoio à existência social de e entre indivíduos. Wellman (2001, apud Castells, 2001) afirma que “comunidades são redes de laços interpessoais que proporcionam sociabilidade, apoio, informação, um senso de integração e identidade social”. Comunidade é então, uma rede que proporciona interação. “As redes são montadas pelas escolhas e estratégias dos atores sociais [...]. A grande transformação da sociabilidade em sociedades complexas ocorreu com a substituição de comunidades espaciais por redes como formas fundamentais de sociabilidade” (Castells, 2001). Em pesquisa realizada nos EUA verificou-se que pessoas que tinham mais de 1000 laços interpessoais, dentre esses, 50 eram realmente fortes e apenas 6 eram realmente íntimos. Contudo, os laços fracos são importantes, pois são fonte de informação, de trabalho, de divertimento etc. Esses laços, ao contrário dos íntimos, são independentes da proximidade espacial e, por isso, precisam ser mediados por algum meio de comunicação. É neste ponto que a Internet se apresenta como ponte, assim como a telefonia.
Segundo Castells (2001), “a tendência dominante na evolução das relações sociais em nossas sociedades é a ascensão do individualismo [...]”. A partir de perspectivas muito diferentes, cientistas sociais [...] enfatizam o surgimento de um novo sistema de relações sociais centrado no indivíduo. Após a transição da predominância de relações primárias para a de relações secundárias, o novo padrão dominante é o terciário, personalizado, baseado em redes “egocentradas”.
Ocorre uma privatização da sociabilidade. Essa nova relação “é induzida pela crise do patriarcalismo e a subseqüente desintegração da família nuclear tradicional [...]”. E é sustentada pela urbanização que individualiza e fragmenta o contexto espacial de existência: pessoas cada vez mais distantes fisicamente em condomínios fechados; existências de grandes metrópoles (Castells, 2001).
Além disso, o contato com o diferente, como é comum no contexto urbano, relativiza os conceitos e impõe a tolerância em relação ao outro, o que forma uma individualidade calcada na aceitação de tudo que vem do outro e, ao mesmo tempo, na delimitação e na exposição do eu individual ao outro. A rede reflete esse esquema de socialização individualizada que se vive na realidade concreta.
A Internet se apresenta como um dos suportes materiais para a prática desse individualismo em rede. Ela serve de suporte para a conexão entre individualidades que compartilham interesses comuns e assim se formam as comunidades. “As pessoas se ligam e se desligam da Internet, mudam de interesse, não revelam necessariamente sua identidade [...], migram para outros padrões on-line. Mas se as conexões não são duradouras, o fluxo permanece, e muitos participantes da rede o utilizam como uma de suas manifestações sociais” (Castells, 2001, p.108). São comunidades em metamorfose constante: “as comunidades on-line são em geral efêmeras e raramente articulam a interação on-line com a física [...]. São redes variáveis e de composição cambiante segundo o interesse dos atores sociais e da própria rede [...]. O tema em torno do qual uma comunidade é montada define seus participantes. Na Internet você é o que diz ser, já que é com base nesta presunção que uma rede de interação social é construída ao longo do tempo” (Castells, 2001, p. 109). A Internet se apresenta, conforme observa Wellman (2001, apud Castells, 2001), como “a forma dominante de organização social”.
Não é a Internet que cria um padrão de individualismo em rede, mas seu desenvolvimento que fornece um suporte material para a difusão do individualismo como forma de sociabilidade. Assim, o individualismo é um padrão social, e não um acúmulo de indivíduos isolados (Castells, 2001).
O individualismo precede e extrapola os limites da rede virtual, e se dá tanto no lugar físico quanto no virtual. Cardoso (1998, apud Castells, 2001, p.110) comenta que “estamos na presença de uma nova noção de espaço em que físico e virtual se influenciam um ao outro, lançando as bases para a emergência de novas formas de socialização, novos estilos de vida e novas formas de organização social”.
Desse modo, o individualismo em rede vem redefinindo as fronteiras e o significado de instituições tradicionais de sociabilidade, como a família, por exemplo. “Essas tendências equivalem ao triunfo do indivíduo, embora os custos para a sociedade ainda sejam obscuros” (Castells, 2001). Ao que parece, estamos diante de um novo modelo de sociedade: a sociedade em rede. A sociedade em rede não é o resultado do impacto das novas tecnologias de informação nem da difusão da Internet. Na realidade, trata-se de uma forma social nova, que resulta da interação complexa entre a evolução social e a evolução tecnológica, tendo a Internet como meio de comunicação interativo e como infra-estrutura tecnológica decisiva para a organização em rede dos mais variados âmbitos da vida. Se a Internet não é o fator causal das novas formas de organização social, ela é o meio necessário para o desenvolvimento das redes de interação e comunicação em que se baseia a sociedade atual.
Contrariando a ideia de que a Internet provocaria uma alienação do mundo real, estudos atuais mostram que ela não tem um efeito direto sobre a configuração da vida cotidiana em geral: ela apenas acrescenta a possibilidade de mais um espaço de comunicação, assim como faz o telefone celular. Além disso, não é que as pessoas se isolem da vida social real para viver uma virtual, mas sim que as que já vivem em estado de isolamento social na vida real encontram na Internet uma possibilidade de viver um tipo de interação social, ainda que não presencial. “A Internet parece ter um efeito positivo sobre a interação social, e tende a aumentar a exposição a outras fontes de informação. [...] os usuários da rede freqüentam mais eventos de arte, leem mais, veem mais filmes [...] do que os não-usuários” (Castells, 2001).
Assim, em geral, a sociabilidade off-line é potencializada pela on-line. Quanto à construção da identidade, verifica-se que está entre os adolescentes a maior variabilidade de representações de papeis em linha. Isso se dá porque estas pessoas estão na fase de “descobrir a identidade e de fazer experiências com ela, de descobrir o que realmente são ou gostariam de ser” (Castells, 2001, p. 99).
Com a rede surgiu a noção de “comunidade virtual”, como novo suporte para a sociabilidade. Contudo, o termo “comunidade”, pela sua carga ideológica, confundiu formas diferentes de relação social e provocou o debate entre os defensores da forma tradicional de comunidade (espacialmente limitada) e os progressistas, que optam pela comunidade ilimitada e livre da Internet. Essa discussão, na verdade, é mais antiga, e já era travada entre os defensores da tradição comunitária rural (pequenos grupos próximos) e os defensores da urbanização (famílias com laços fracos entre si, espalhadas na metrópole anônima).
O fato, porém, é que as comunidades culturalmente homogêneas e limitadas nunca existiram na prática (Castells, 2001). Desse modo, com a Internet, surge a necessidade de se redefinir o conceito de comunidade, dando menos ênfase ao aspecto cultural e enfatizando a comunidade como um apoio à existência social de e entre indivíduos. Wellman (2001, apud Castells, 2001) afirma que “comunidades são redes de laços interpessoais que proporcionam sociabilidade, apoio, informação, um senso de integração e identidade social”. Comunidade é então, uma rede que proporciona interação. “As redes são montadas pelas escolhas e estratégias dos atores sociais [...]. A grande transformação da sociabilidade em sociedades complexas ocorreu com a substituição de comunidades espaciais por redes como formas fundamentais de sociabilidade” (Castells, 2001). Em pesquisa realizada nos EUA verificou-se que pessoas que tinham mais de 1000 laços interpessoais, dentre esses, 50 eram realmente fortes e apenas 6 eram realmente íntimos. Contudo, os laços fracos são importantes, pois são fonte de informação, de trabalho, de divertimento etc. Esses laços, ao contrário dos íntimos, são independentes da proximidade espacial e, por isso, precisam ser mediados por algum meio de comunicação. É neste ponto que a Internet se apresenta como ponte, assim como a telefonia.
Segundo Castells (2001), “a tendência dominante na evolução das relações sociais em nossas sociedades é a ascensão do individualismo [...]”. A partir de perspectivas muito diferentes, cientistas sociais [...] enfatizam o surgimento de um novo sistema de relações sociais centrado no indivíduo. Após a transição da predominância de relações primárias para a de relações secundárias, o novo padrão dominante é o terciário, personalizado, baseado em redes “egocentradas”.
Ocorre uma privatização da sociabilidade. Essa nova relação “é induzida pela crise do patriarcalismo e a subseqüente desintegração da família nuclear tradicional [...]”. E é sustentada pela urbanização que individualiza e fragmenta o contexto espacial de existência: pessoas cada vez mais distantes fisicamente em condomínios fechados; existências de grandes metrópoles (Castells, 2001).
Além disso, o contato com o diferente, como é comum no contexto urbano, relativiza os conceitos e impõe a tolerância em relação ao outro, o que forma uma individualidade calcada na aceitação de tudo que vem do outro e, ao mesmo tempo, na delimitação e na exposição do eu individual ao outro. A rede reflete esse esquema de socialização individualizada que se vive na realidade concreta.
A Internet se apresenta como um dos suportes materiais para a prática desse individualismo em rede. Ela serve de suporte para a conexão entre individualidades que compartilham interesses comuns e assim se formam as comunidades. “As pessoas se ligam e se desligam da Internet, mudam de interesse, não revelam necessariamente sua identidade [...], migram para outros padrões on-line. Mas se as conexões não são duradouras, o fluxo permanece, e muitos participantes da rede o utilizam como uma de suas manifestações sociais” (Castells, 2001, p.108). São comunidades em metamorfose constante: “as comunidades on-line são em geral efêmeras e raramente articulam a interação on-line com a física [...]. São redes variáveis e de composição cambiante segundo o interesse dos atores sociais e da própria rede [...]. O tema em torno do qual uma comunidade é montada define seus participantes. Na Internet você é o que diz ser, já que é com base nesta presunção que uma rede de interação social é construída ao longo do tempo” (Castells, 2001, p. 109). A Internet se apresenta, conforme observa Wellman (2001, apud Castells, 2001), como “a forma dominante de organização social”.
Não é a Internet que cria um padrão de individualismo em rede, mas seu desenvolvimento que fornece um suporte material para a difusão do individualismo como forma de sociabilidade. Assim, o individualismo é um padrão social, e não um acúmulo de indivíduos isolados (Castells, 2001).
O individualismo precede e extrapola os limites da rede virtual, e se dá tanto no lugar físico quanto no virtual. Cardoso (1998, apud Castells, 2001, p.110) comenta que “estamos na presença de uma nova noção de espaço em que físico e virtual se influenciam um ao outro, lançando as bases para a emergência de novas formas de socialização, novos estilos de vida e novas formas de organização social”.
Desse modo, o individualismo em rede vem redefinindo as fronteiras e o significado de instituições tradicionais de sociabilidade, como a família, por exemplo. “Essas tendências equivalem ao triunfo do indivíduo, embora os custos para a sociedade ainda sejam obscuros” (Castells, 2001). Ao que parece, estamos diante de um novo modelo de sociedade: a sociedade em rede. A sociedade em rede não é o resultado do impacto das novas tecnologias de informação nem da difusão da Internet. Na realidade, trata-se de uma forma social nova, que resulta da interação complexa entre a evolução social e a evolução tecnológica, tendo a Internet como meio de comunicação interativo e como infra-estrutura tecnológica decisiva para a organização em rede dos mais variados âmbitos da vida. Se a Internet não é o fator causal das novas formas de organização social, ela é o meio necessário para o desenvolvimento das redes de interação e comunicação em que se baseia a sociedade atual.
domingo, 24 de julho de 2011
Está chegando a hora....
As férias estão chegando ao fim e junto com isso a perspectiva de muito trabalho pela frente.
Nesse 2º semestre de 2011 não teremos feriados prolongados. Mas, força e coragem que iremos encerrar brilhantemente mais um ano letivo em breve!!!
Bom restinho de férias a todos!!!
Nesse 2º semestre de 2011 não teremos feriados prolongados. Mas, força e coragem que iremos encerrar brilhantemente mais um ano letivo em breve!!!
Bom restinho de férias a todos!!!
sábado, 16 de julho de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Beatificação de João Paulo II
Neste domingo, 1º de maio, festa da Divina Misericórdia, o Papa João Paulo II será Beatificado, em missa e ato presididos pelo seu predecessor, Bento XVI. Como aconteceu em sua morte, vemos milhares de pessoas indo para Roma, para Praça São Pedro, com único objetivo, participar da missa, aguardando o momento, quando João Paulo II será declarado beato.
A ida de pessoas de todas as partes do mundo à Praça São Pedro e o interesse das pessoas em acompanhar pela TV, rádio, internet e outros meios, a beatificação de João Paulo II, revela-se nestes dias o aspecto mais tocante no encontro com este papa, seja diante de imensas multidões como no relacionamento pessoal: a sua profunda humanidade.
Ele tinha uma particular intensidade afetiva que conquistava; mas isso não explica tudo. No seu olhar intenso e no seu abraço comovido revelava-se um outro amor, uma outra presença. O papa com a sua humanidade era sinal vivo do amor sem medida de Cristo. Por isso, as pessoas, particularmente os jovens, sentiam um fascínio único e especial: encontravam alguém ferido e apaixonado por Cristo e, por isso, sensível, solidário, amante da vida.
Como são pálidas as tentativas de classificar este papa em esquemas ideológicos de conservadorismo e progressismo ou de projeto restaurador; a única sua preocupação foi indicar a presença de Cristo vivo agora na história, fonte de esperança para a Igreja e para o mundo inteiro, em particular, para os aflitos e para os pobres. O seu olhar não estava voltado na defesa de uma instituição eclesiástica contra os ataques da modernidade e da tecnologia, mas sim a fixar a presença de Cristo, experimentado como vencedor do mal e início de um mundo novo. A defesa da ortodoxia era a defesa de uma experiência preciosa de vida; era o anúncio de Cristo como caminho de plenitude humana contra toda forma de vazio e de desespero. O sofrimento dos últimos anos e dos últimos dias do papa foi o ponto alto da entrega da sua humanidade no seguimento de Jesus.
Desde o primeiro dia de seu pontificado, convidava todos, e não apenas os católicos, a abrir, aliás, a escancarar as portas a Cristo e, com um acento e um vigor totalmente novo, convidava os vastos campos da cultura, da política e da economia, a percorrer a aventura do encontro com o Mistério feito homem. “Cristo, centro do cosmos e da história”, dirá na primeira encíclica “Redemptor Hominis”, segundo a melhor teologia do apóstolo Paulo.
Para levar a todos este anúncio, o Papa se fez missionário em todas as partes do mundo e, particularmente, nas situações mais críticas e delicadas, com uma intrepidez surpreendente. Não teve medo de ninguém, nem das críticas de quantos o acusavam de ir contra a mentalidade dominante no mundo, ou de sair fora dos esquemas da burocracia eclesiástica. Quanto mais firme e sem fáceis descontos mostrava-se a sua mensagem, mais era procurado, particularmente pelos jovens. Mostrou firmeza, coragem e paixão missionária, exatamente quando a Igreja católica começava a viver o complexo de inferioridade diante do mundo e o anúncio de Cristo parecia reduzir-se a um genérico humanismo secular, súdito das ideologias dominantes do momento. Filosofo e agudo expoente da fenomenologia, era atento conhecedor da cultura moderna e contemporânea. Vacinado contra a ideologia marxista e profundamente critico do capitalismo consumista, o Papa proclama incansavelmente o valor insuperável da pessoa humana e da sua dignidade na vida familiar, na convivência social e na ordem econômica e política.
Coloca-se também na vanguarda da luta contra os grandes sistemas totalitários do século XX: o nazismo e o comunismo marxista. E esta posição não é conduzida por meio de reflexões puramente acadêmicas, mas no envolvimento direto pela causa da liberdade dos povos e das consciências. Um papel decisivo é-lhe reconhecido na queda do regime soviético, mas também é intransigente a sua luta em prol da paz em todos os conflitos, particularmente na oposição à guerra no Iraque.
A liberdade para ele não podia ser separada da sua relação com a verdade que, com o seu esplendor, é ponto de referência último da vida da pessoa e da sociedade. Da ligação entre liberdade e verdade depende a firme luta pelos valores éticos no campo da defesa da vida e da sexualidade, contrariando muito pensamento dominante, marcado pela idolatria do mercado e pelo domínio de uma técnica separada de qualquer ponto de referência ético. E neste ponto proclama a unidade de ciência, técnica e ética, indispensável como garantia dos direitos humanos, particularmente dos mais pobres. E aqui se revela a sua insistência na missão social da igreja e na opção pelos pobres que é o transbordar da paixão por Cristo, que incide profundamente na mudança das situações injustas da história. Um papa que avança para as águas mais profundas da santidade e ao mesmo tempo da solidariedade e da justiça; que tem como horizonte não apenas a Igreja, mas o mundo e a vida dos povos.
Outro aspecto inconfundível do pontificado de JPII foi a busca da unidade entre os cristãos e o diálogo com judeus, muçulmanos e fiéis de outras religiões. Os dois encontros de Assis, com lideranças religiosas, constituem uma novidade total no caminho para superar divisões seculares antigas incompreensões. Com grande coragem e humildade pediu perdão em nome dos católicos de todos os tempos, movido unicamente pelo desejo da verdade. Memorável foi também, depois da visita à sinagoga de Roma, o encontro com os hebreus em Jerusalém e sua oração perto do Muro das Lamentações. Entrou em sinagogas e mesquitas, rezou com hebreus e muçulmanos, denunciou a falsidade da teoria do choque de civilizações e, em várias circunstâncias, insistiu sobre o fato que as três religiões abraâmicas são chamadas a ser uma defesa da fé e da civilização contra o domínio de uma visão ateia e puramente mercantilista do mundo.
Tive a oportunidade de acompanhar de perto João Paulo II na visita ao Rio em ’97 e o que mais me impressionou, além dos inesquecíveis momentos do Maracanã e do Aterro, foi a presença cada dia mais maciça do nosso povo mais simples que descia dos morros para cruzar só por um instante o seu olhar e pedir com toda confiança: “Sua bênção, João de Deus”!
Dom Filippo Santoro
Bispo de Petrópolis - RJ
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Por Luís Fernando Veríssimo....
Haja fôlego !!!!!
Exigências da vida moderna (quem agüenta tudo isso???)
Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E depois uriná-los, o que consome o dobro do tempo...
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para...
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia. UFA !!!
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. CAGANDO NÉ !!!
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. TÁ DIFICILLLLL...
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma)!
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar das minhas amizades quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo!!!!
Todos os dias, um dia sim, o outro também, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Dizer EU TE AMO,
toda hora, ''ainda pego quem inventou essa neura...que saco!!!''
isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação... se tiver, tem que brincar com ele, pelo menos meia hora todo dia, para ele não ficar deprimido....Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes ao mesmo tempo.
Chame os amigos e seus pais, seu amor, o sogro, a sogra, os cunhados...Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher. Não esqueça do EU TE AMO, (Vou achar logo quem inventou isso, me aguarde).
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora voce tá ferrado mesmo é se tiver criança pequena, ai lascou de vez, porque o tempo que ia sobrar para voce...meu..., já era!!! criança ocupa um tempo danado.
Agora tenho que ir.É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro e correndo.
E já que vou, levo um jornal... Tchau....
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.
Luís Fernando Veríssimo
domingo, 10 de abril de 2011
Um grito de Socorro
Para encerrar com chave de ouro a série de apresentações teatrais na disciplina de artes, os alunos do 2º ano do ensino médio: Luanna, Danilo, Maycom, Jordana Fernandes, Thaynná, Lucas e Nathália fizeram uma brilhante apresentação no auditório São Domingos de Gusmão (C.N.S.A). Diferentemente das representações anteriores, "Um grito de socorro" não continha falas, as mesmas foram substituidas pela linguagem corporal.
Parabéns aos alunos pelo empenho!!!
Parabéns aos alunos pelo empenho!!!
Deixe seu comentário!!!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Teatro: "Brigando pela alma"
Parabéns aos alunos pelo empenho!!!
quinta-feira, 17 de março de 2011
Teatro 2º ano (C.N.S.A)
Em mais um dia de apresentações teatrais os alunos Jordana Pagno, Jordana Martins, Bruno, Daniele, Thyelle, Salvina, Yasmin, Talita e Tarcila brilharam em suas atuações. Os alunos fizeram uma conexão entre a proposta do trabalho na disciplina de artes com uma visão filosófica, isso a partir da perspectiva de Platão e Aristóteles acerca da alma humana.
Parabéns a cada um dos alunos pelo empenho!!!
Parabéns a cada um dos alunos pelo empenho!!!
DEIXE SEU COMENTÁRIO!!!!
Assinar:
Postagens (Atom)