quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Informações trabalho de artes e filosofia - Mitos (CNSA)

Critérios a serem avaliados:

  • Organização do grupo
  • Atuação individual
  • Figurino
  • Texto
  • Coerência com o mito selecionado
  • Cenário 
As apresentações serão feitas nas datas já determinadas em sala de aula. A nota do trabalho é individual. O valor do trabalho é 100 e a nota será atribuída às disciplinas de artes e filosofia visto que o trabalho interdisciplinar.
Empenhem-se na realização do trabalho!
Bom êxito!
Grande abraço a todos! 
Prof. Rafael

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Apoio à educação!



Já passava da hora de sairmos dessa paralisia! O governo do Estado de Goiás nas pessoas dos "ilustríssimos" e "intocáveis" Marconi Perillo e Thiago Peixoto tem feito tudo para afundar de vez a carreira do professor! Um dos maiores absurdos foi o atual plano de carreira elaborado por ambos. Professores que até então com mestrado e com doutorado recebiam respectivamente 40% e 50% de titularidade passaram a partir do mês de janeiro de 2012 a receber 10% e 20% . Além do mais outras titularidades já conquistadas em tempos anteriores foram embutidas no salário e o sr. Thiago Peixoto teve a cara de pau em aparecer na TV e dizer que  deu um significativo aumento aos professores! Quanta hipocrisia! Um cara que não sabe nada de educação ser Secretário Estadual da educação! A carreira de professor cada dia que passa está sendo mais achatada em Goiás. Só chegam imposições lá de cima, pelas mãos de quem não sabe nada de educação. Quem sabe de fato o que precisa ser feito somos nós professores, são os alunos que estão frente a frente com a condição precária de trabalho que temos enfrentado. Quem está em sala de aula ministrando uma aula é que sabe o que é educação! Escute-nos! Ouça-nos! 
Respeito é o que queremos! Nada mais!

Artigo: O capitalismo e o Advento de uma sociedade de consumo


O capitalismo e o Advento de uma sociedade de consumo

Disponível em: www.colégiomaededeus.com.br/Acesso em: 25/01/2012

Camila Fernandes - Colégio Mãe de Deus – T. 301

Resumo: A condição da redução do cidadão em consumidor, e a criação de tal cultura global, deram-se através do ciclo vicioso produtivo gerado pelo surgimento do capitalismo. Tal sistema, para existir, necessita de um mercado que o mantenha e o renove. Logo, a sociedade capitalista em surgimento criou o mito do consumo como sinônimo de bem-estar e meta prioritária do processo civilizatório, obtendo os alicerces necessários para a sustentação de todo o sistema e criando as bases para a formação de uma sociedade baseada no consumo.

Palavras-chave: capitalismo – sociedade de consumo – ciclo vicioso – cidadão consumidor

Introdução

O capitalismo é um sistema econômico caracterizado pela acumulação de recursos financeiros e materiais. Seu inicio deu-se na Europa com a transferência do centro da vida econômica social e política dos feudos para a cidade. Logo ocorreu um processo de monetarização. Onde antigamente as relações de compra e venda era baseada na necessidade dos indivíduos, começou a existir uma prática comercial baseada no valor de troca ao invés do seu valor de uso, estimulando uma economia que, gradativamente, começou a ser baseada em valores numéricos relativos a mercadorias.
Esta prática levou ao surgimento de uma sociedade capitalista baseada no consumo. Contudo, para que isto acontecesse foi necessária a criação de uma cultura presente em cada pessoa e na comunidade internacional como um todo. Deste modo, o sistema capitalista utilizou-se de vários artifícios que culminaram em nosso atual modelo econômico e estilo de organização social.
Assim sendo, esses itens foram imprescindíveis para a nossa formação atual. Por isso, pretendo analisar essas primeiras fases compostas por esses elementos do capitalismo em ascensão que, ao longo do tempo, levaram ao surgimento de um caráter consumista em todos os componentes da sociedade contemporânea. V. 1 Nº 1, Setembro, 2010.
                                                                                                                       
O surgimento do cidadão consumidor

A sociedade baseada no  consumo em grande escala não surgiu de repente. O seu
surgimento foi um longo e demorado processo e deu-se devido uma sucessão de fatos que, ao se acumularem, propiciaram seu surgimento ao longo da história. O termo sociedade de consumo é usado para designar uma sociedade que se encontra numa avançada etapa de desenvolvimento industrial capitalista e que se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços, disponíveis graças a elevada produção dos mesmos. Esse surgimento deu-se com o surgimento do capitalismo.
A acumulação primitiva de capital retirou a propriedade privada dos camponeses e colocou nas mãos da burguesia em ascensão. Esses camponeses transformaram-se em
trabalhadores assalariados e disponíveis a uma burguesia, que com o fim do absolutismo
detinha o controle dos meios de produção. O contexto da revolução industrial, por volta de 1760, e a passagem do capitalismo comercial para o industrial deram início ao processo de agilização da produção e fizeram com que fosse possível, em 1914, o surgimento da primeira linha de montagem automatizada e a produção em grande escala.
O aparecimento do capitalismo fez com que surgisse uma peça fundamental em sua existência, o cidadão consumidor. “A natureza própria do capitalismo exige, para sua sobrevivência, acumulação e investimentos crescentes.” (COSTA LIMA, 98) Necessitando de tais aspectos, os capitalistas estimulam o processo de produção e de consumo. Com uma maior produção, o mercado tem de absorver essa demanda. Para isso, eles utilizam artifícios –como a publicidade, a mídia, o fenômeno atual dos shoppings centers, entre outros  – para estimular a venda de seu produto, terminando um ciclo de vendas e iniciando outro de produção.
Então, o cidadão consumidor foi o meio encontrado pelo capitalismo para que o
contingente de produção fosse absorvido. Logo, este se tornou o elo entre o novo ciclo da produção e o ciclo do consumo, gerando um só ciclo: o ciclo vicioso do mercado capitalista.
Contudo, o consumo exacerbado – característica do capitalismo atual – não existia no início das sociedades capitalistas. Para que esta se desenvolvesse e atingisse seu estado atual foi necessária a criação de um mito, o mito do bem-estar através do consumo.

 O mito do bem-estar através do consumo

Com a necessidade de fazer o mercado girar, e atingir níveis antes não imaginados, a sociedade capitalista criou o mito do consumo como algo bom e imprescindível para os cidadãos. Para isso, a capacidade aquisitiva se tornou um meio de classificar as pessoas, bem como a quantidade e a qualidade do que estas consomem.  V. 1 Nº 1, Setembro, 2010.                                                                                                                        
No momento em que o consumo se torna a base da divisão populacional, consumir tornou-se uma forma de prestígio social. Então, ao consumir algo pertencente a uma classe superior as pessoas sentiam-se felizes e incluídas na sociedade. Desse modo, foi criado o mito do consumo e a principal característica do capitalismo: a obsessão por este consumo.
Logo, a lógica capitalista de produção voltou-se para atender as supostas necessidades do consumidor e estimular suas necessidades artificiais para promover uma rotatividade e acumulação do capital investido. É importante perceber que o sistema capitalista de produção que supre as necessidades dos cidadãos é o mesmo que as cria. Através de métodos de competição entre os consumidores, da publicidade e do marketing, ele faz com que tenhamos o desejo de consumir cada vez mais produtos, muitas vezes supérfluos.
Com um aumento populacional, houve um aumento significativo no consumo,
principalmente nas últimas décadas.  Com a globalização, as empresas puderam se expandir, oferecendo mais produtos e ampliando o seu alcance. O aumento da estrutura capitalista facilitou as relações comerciais entre os países. Contudo, a base de sustentação do capitalismo, e de todas as relações nele envolvidas, continua a mesma: a rotatividade e a manutenção do mercado.



O ciclo vicioso do mercado

O capitalismo possui um ciclo rotativo. Ao consumirmos um produto estamos
exigindo que o produtor deste aumente sua demanda. Ao aumentarmos a demanda de
produção de determinada fábrica ou indústria estimulamos o surgimento de novos empregos, o aumento de salários, entre tantas outras conseqüências. Um maior número de trabalhadores com um salário melhor, que consequentemente se transformarão em consumidores, fazem com que o ciclo do consumo se inicie outra vez. (BUENO, 2008). Por isso, o surgimento do cidadão consumidor foi tão importante para a rotatividade do mercado, pois é ele quem a recomeça todas as vezes que esta se completa. Consequentemente, a renovação do mercado se tornou indispensável para que a economia se movimente e que os países se desenvolvam. O modelo da sociedade de consumo está tão enraizado na sociedade contemporânea que algumas pessoas chegam a afirmar que ele é irreversível.
Irreversível ou não, uma sociedade baseada no consumo possui uma grande instabilidade. A queda brusca do consumo pode fazer com que muitos países entrem em crise devido à alta demanda e pouca procura. Ao mesmo tempo, a alta procura pode fazer com que os níveis inflacionários de um país cresçam vertiginosamente, atingindo todos os setores da população. V. 1 Nº 1, Setembro, 2010.                                                                                                                        
Apesar de todas as falhas existentes no sistema capitalista, o ciclo vicioso do mercado é seu principal alicerce. Não é à toa que o capitalismo viu fracassar inúmeros modelos político-econômicos cuja base de rotatividade de seu mercado não fosse tão necessária e presente em todo o sistema. Portanto, a consolidação deste ciclo foi o último passo para que surgisse uma gigantesca sociedade baseada no consumo.

Considerações Finais    

Na realidade capitalista tornou-se imprescindível a existência de diversos setores
consumidores na população, visto que o cidadão consumidor é a principal característica da sociedade como um todo. Atualmente, a melhor maneira encontrada para “alimentar” esse mercado foi através da globalização. Através da globalização, conseguimos nos relacionar com pessoas do mundo inteiro e, ao mesmo tempo, consumir produtos do outro lado do planeta utilizando artifícios tão comuns nos dias de hoje como a internet.
Pelo cidadão consumidor, o mercado capitalista conseguiu expandir o seu alcance. Isso fez com que as relações mantidas para a manutenção do mercado  – o ciclo produção/mercado/consumo/produção... – se fortalecessem e que hoje se tornassem um ciclo vicioso sem meio, início e fim. Afinal, tudo faz parte do grande sistema capitalista em que vivemos e da sociedade contemporânea de consumo existente, onde o consumo e a produção são apenas uma pequena parte de todo o sistema.
Com o surgimento de principais alicerces, surgiu esse modelo de sociedade e todas as relações nela envolvidas. As discussões sobre suas conseqüências e a quem este tipo de sociedade beneficia já causaram muitas brigas. Entretanto, o fato mais importante a ser destacado, ao invés de classificar a sociedade como boa ou má, é a criação do cidadão consumidor. Mérito ou não das pessoas que o idealizaram, ele foi o principal ponto do surgimento do capitalismo e, por conseguinte, da sociedade de consumo e que perdura até os dias de hoje com uma relevância tão grande quanto possuía antigamente.V. 1 Nº 1, Setembro, 2010.     



                                                                                                                  
Referências
BUENO, Chris. A insustentável sociedade de consumo. Com Ciência: Revista Eletrônica de
Jornalismo Científico, São Paulo, n. 99, p.1-3, 10 jun. 2008. Mensal. Disponível em:
<http://www.comciencia.br/comciencia/index.php?section=8&edicao=36&id=429>. Acesso
em: 03 mar. 2010.
FEATHERSTONE, Mike.  Cultura de consumo e pós-modernismo.  São Paulo: Studio
Nobel, 1995. 201 p. Disponível em:
<http://books.google.com.br/books?id=15__7hPkpIEC&printsec=frontcover&dq=Cultura+de
+consumo+e+p%C3%B3s-modernismo&hl=pt-BR&ei=zpHTP2PCcGC8gbWyrDoAQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CC0Q6A
EwAA>. Acesso em: 05 abr. 2010.
LIMA, Gustavo F. da Costa. Consciência Ecológica: emergência, obstáculos e desafios.
Política e Trabalho, Paraná, p.139-154, 05 set. 1998. Semestral. Disponível em:
<http://www.cefetsp

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A virtualidade pós moderna


A virtualidade pós moderna 
        A partir da década de 1960, e no Brasil mais marcadamente no início da década de 90 do século XX, uma série de inovações científicas e tecnológicas convergiram para a criação de novos paradigmas. As redes interativas de computadores cresceram e criaram novos canais de informação e comunicação que promovem mudanças nas relações sociais, econômicas e culturais. A emergência da Internet, com a formação de comunidades virtuais de interação on-line, foi vista por muitos como o surgimento de novos padrões de relações sociais substituindo as antigas. Os críticos da Internet argumentam que a rede promove o isolamento social e um colapso da comunicação e da vida familiar. A sociabilidade real seria substituída por uma aleatória e virtual, baseada em identidades falsas e representação de papeis. Assim, a Internet foi acusada de induzir as pessoas apenas a viver suas fantasias on-line. Hoje, décadas depois, essa visão está ultrapassada. Com a difusão em massa da Internet, ela foi apropriada pela prática social em toda a sua diversidade, e essa apropriação tem efeitos sobre essa mesma prática. Pesquisas recentes mostram que a representação de papéis e a construção da identidade via Internet são uma pequena parcela da sociabilidade baseada na rede, e esse tipo de prática concentra-se nos adolescentes (Castells, 2001). A Internet não é um terreno onde prevalece a fantasia, mas uma extensão da vida como ela é, em todas as suas dimensões. E mesmo nos ambientes em que a representação de papeis é comum, esses papeis são moldados segundo as vidas reais dos “personagens”: “[...] a maioria dos usuários sociais da comunicação mediada por computador cria personalidades on-line compatíveis com suas identidades off-line” (Baym, 1998 apud Castells, 2001, p. 100).

        Contrariando a ideia de que a Internet provocaria uma alienação do mundo real, estudos atuais mostram que ela não tem um efeito direto sobre a configuração da vida cotidiana em geral: ela apenas acrescenta a possibilidade de mais um espaço de comunicação, assim como faz o telefone celular. Além disso, não é que as pessoas se isolem da vida social real para viver uma virtual, mas sim que as que já vivem em estado de isolamento social na vida real encontram na Internet uma possibilidade de viver um tipo de interação social, ainda que não presencial. “A Internet parece ter um efeito positivo sobre a interação social, e tende a aumentar a exposição a outras fontes de informação. [...] os usuários da rede freqüentam mais eventos de arte, leem mais, veem mais filmes [...] do que os não-usuários” (Castells, 2001).
Assim, em geral, a sociabilidade off-line é potencializada pela on-line. Quanto à construção da identidade, verifica-se que está entre os adolescentes a maior variabilidade de representações de papeis em linha. Isso se dá porque estas pessoas estão na fase de “descobrir a identidade e de fazer experiências com ela, de descobrir o que realmente são ou gostariam de ser” (Castells, 2001, p. 99).
        Com a rede surgiu a noção de “comunidade virtual”, como novo suporte para a sociabilidade. Contudo, o termo “comunidade”, pela sua carga ideológica, confundiu formas diferentes de relação social e provocou o debate entre os defensores da forma tradicional de comunidade (espacialmente limitada) e os progressistas, que optam pela comunidade ilimitada e livre da Internet. Essa discussão, na verdade, é mais antiga, e já era travada entre os defensores da tradição comunitária rural (pequenos grupos próximos) e os defensores da urbanização (famílias com laços fracos entre si, espalhadas na metrópole anônima).
        O fato, porém, é que as comunidades culturalmente homogêneas e limitadas nunca existiram na prática (Castells, 2001). Desse modo, com a Internet, surge a necessidade de se redefinir o conceito de comunidade, dando menos ênfase ao aspecto cultural e enfatizando a comunidade como um apoio à existência social de e entre indivíduos. Wellman (2001, apud Castells, 2001) afirma que “comunidades são redes de laços interpessoais que proporcionam sociabilidade, apoio, informação, um senso de integração e identidade social”. Comunidade é então, uma rede que proporciona interação. “As redes são montadas pelas escolhas e estratégias dos atores sociais [...]. A grande transformação da sociabilidade em sociedades complexas ocorreu com a substituição de comunidades espaciais por redes como formas fundamentais de sociabilidade” (Castells, 2001). Em pesquisa realizada nos EUA verificou-se que pessoas que tinham mais de 1000 laços interpessoais, dentre esses, 50 eram realmente fortes e apenas 6 eram realmente íntimos. Contudo, os laços fracos são importantes, pois são fonte de informação, de trabalho, de divertimento etc. Esses laços, ao contrário dos íntimos, são independentes da proximidade espacial e, por isso, precisam ser mediados por algum meio de comunicação. É neste ponto que a Internet se apresenta como ponte, assim como a telefonia.
        Segundo Castells (2001), “a tendência dominante na evolução das relações sociais em nossas sociedades é a ascensão do individualismo [...]”. A partir de perspectivas muito diferentes, cientistas sociais [...] enfatizam o surgimento de um novo sistema de relações sociais centrado no indivíduo. Após a transição da predominância de relações primárias para a de relações secundárias, o novo padrão dominante é o terciário, personalizado, baseado em redes “egocentradas”.
        Ocorre uma privatização da sociabilidade. Essa nova relação “é induzida pela crise do patriarcalismo e a subseqüente desintegração da família nuclear tradicional [...]”. E é sustentada pela urbanização que individualiza e fragmenta o contexto espacial de existência: pessoas cada vez mais distantes fisicamente em condomínios fechados; existências de grandes metrópoles (Castells, 2001).
        Além disso, o contato com o diferente, como é comum no contexto urbano, relativiza os conceitos e impõe a tolerância em relação ao outro, o que forma uma individualidade calcada na aceitação de tudo que vem do outro e, ao mesmo tempo, na delimitação e na exposição do eu individual ao outro. A rede reflete esse esquema de socialização individualizada que se vive na realidade concreta.
        A Internet se apresenta como um dos suportes materiais para a prática desse individualismo em rede. Ela serve de suporte para a conexão entre individualidades que compartilham interesses comuns e assim se formam as comunidades. “As pessoas se ligam e se desligam da Internet, mudam de interesse, não revelam necessariamente sua identidade [...], migram para outros padrões on-line. Mas se as conexões não são duradouras, o fluxo permanece, e muitos participantes da rede o utilizam como uma de suas manifestações sociais” (Castells, 2001, p.108). São comunidades em metamorfose constante: “as comunidades on-line são em geral efêmeras e raramente articulam a interação on-line com a física [...]. São redes variáveis e de composição cambiante segundo o interesse dos atores sociais e da própria rede [...]. O tema em torno do qual uma comunidade é montada define seus participantes. Na Internet você é o que diz ser, já que é com base nesta presunção que uma rede de interação social é construída ao longo do tempo” (Castells, 2001, p. 109). A Internet se apresenta, conforme observa Wellman (2001, apud Castells, 2001), como “a forma dominante de organização social”.
        Não é a Internet que cria um padrão de individualismo em rede, mas seu desenvolvimento que fornece um suporte material para a difusão do individualismo como forma de sociabilidade. Assim, o individualismo é um padrão social, e não um acúmulo de indivíduos isolados (Castells, 2001).
        O individualismo precede e extrapola os limites da rede virtual, e se dá tanto no lugar físico quanto no virtual. Cardoso (1998, apud Castells, 2001, p.110) comenta que “estamos na presença de uma nova noção de espaço em que físico e virtual se influenciam um ao outro, lançando as bases para a emergência de novas formas de socialização, novos estilos de vida e novas formas de organização social”.
Desse modo, o individualismo em rede vem redefinindo as fronteiras e o significado de instituições tradicionais de sociabilidade, como a família, por exemplo. “Essas tendências equivalem ao triunfo do indivíduo, embora os custos para a sociedade ainda sejam obscuros” (Castells, 2001). Ao que parece, estamos diante de um novo modelo de sociedade: a sociedade em rede. A sociedade em rede não é o resultado do impacto das novas tecnologias de informação nem da difusão da Internet. Na realidade, trata-se de uma forma social nova, que resulta da interação complexa entre a evolução social e a evolução tecnológica, tendo a Internet como meio de comunicação interativo e como infra-estrutura tecnológica decisiva para a organização em rede dos mais variados âmbitos da vida. Se a Internet não é o fator causal das novas formas de organização social, ela é o meio necessário para o desenvolvimento das redes de interação e comunicação em que se baseia a sociedade atual.

domingo, 24 de julho de 2011

Está chegando a hora....

As férias estão chegando ao fim e junto com isso a perspectiva de muito trabalho pela frente.
Nesse 2º semestre de 2011 não teremos feriados prolongados. Mas, força e coragem que iremos encerrar brilhantemente mais um ano letivo em breve!!!

Bom restinho de férias a todos!!!

domingo, 1 de maio de 2011

Beatificação de João Paulo II

Neste domingo, 1º de maio, festa da Divina Misericórdia, o Papa João Paulo II será Beatificado, em missa e ato presididos pelo seu predecessor, Bento XVI. Como aconteceu em sua morte, vemos milhares de pessoas indo para Roma, para Praça São Pedro, com único objetivo, participar da missa, aguardando o momento, quando João Paulo II será declarado beato.
A ida de pessoas de todas as partes do mundo à Praça São Pedro e o interesse das pessoas em acompanhar pela TV, rádio, internet e outros meios, a beatificação de João Paulo II, revela-se nestes dias o aspecto mais tocante no encontro com este papa, seja diante de imensas multidões como no relacionamento pessoal: a sua profunda humanidade.
Ele tinha uma particular intensidade afetiva que conquistava; mas isso não explica tudo. No seu olhar intenso e no seu abraço comovido revelava-se um outro amor, uma outra presença. O papa com a sua humanidade era sinal vivo do amor sem medida de Cristo. Por isso, as pessoas, particularmente os jovens, sentiam um fascínio único e especial: encontravam alguém ferido e apaixonado por Cristo e, por isso, sensível, solidário, amante da vida.
Como são pálidas as tentativas de classificar este papa em esquemas ideológicos de conservadorismo e progressismo ou de projeto restaurador; a única sua preocupação foi indicar a presença de Cristo vivo agora na história, fonte de esperança para a Igreja e para o mundo inteiro, em particular, para os aflitos e para os pobres. O seu olhar não estava voltado na defesa de uma instituição eclesiástica contra os ataques da modernidade e da tecnologia, mas sim a fixar a presença de Cristo, experimentado como vencedor do mal e início de um mundo novo. A defesa da ortodoxia era a defesa de uma experiência preciosa de vida; era o anúncio de Cristo como caminho de plenitude humana contra toda forma de vazio e de desespero. O sofrimento dos últimos anos e dos últimos dias do papa foi o ponto alto da entrega da sua humanidade no seguimento de Jesus.
Desde o primeiro dia de seu pontificado, convidava todos, e não apenas os católicos, a abrir, aliás, a escancarar as portas a Cristo e, com um acento e um vigor totalmente novo, convidava os vastos campos da cultura, da política e da economia, a percorrer a aventura do encontro com o Mistério feito homem. “Cristo, centro do cosmos e da história”, dirá na primeira encíclica “Redemptor Hominis”, segundo a melhor teologia do apóstolo Paulo.
Para levar a todos este anúncio, o Papa se fez missionário em todas as partes do mundo e, particularmente, nas situações mais críticas e delicadas, com uma intrepidez surpreendente. Não teve medo de ninguém, nem das críticas de quantos o acusavam de ir contra a mentalidade dominante no mundo, ou de sair fora dos esquemas da burocracia eclesiástica. Quanto mais firme e sem fáceis descontos mostrava-se a sua mensagem, mais era procurado, particularmente pelos jovens. Mostrou firmeza, coragem e paixão missionária, exatamente quando a Igreja católica começava a viver o complexo de inferioridade diante do mundo e o anúncio de Cristo parecia reduzir-se a um genérico humanismo secular, súdito das ideologias dominantes do momento. Filosofo e agudo expoente da fenomenologia, era atento conhecedor da cultura moderna e contemporânea. Vacinado contra a ideologia marxista e profundamente critico do capitalismo consumista, o Papa proclama incansavelmente o valor insuperável da pessoa humana e da sua dignidade na vida familiar, na convivência social e na ordem econômica e política.
Coloca-se também na vanguarda da luta contra os grandes sistemas totalitários do século XX: o nazismo e o comunismo marxista. E esta posição não é conduzida por meio de reflexões puramente acadêmicas, mas no envolvimento direto pela causa da liberdade dos povos e das consciências. Um papel decisivo é-lhe reconhecido na queda do regime soviético, mas também é intransigente a sua luta em prol da paz em todos os conflitos, particularmente na oposição à guerra no Iraque.
A liberdade para ele não podia ser separada da sua relação com a verdade que, com o seu esplendor, é ponto de referência último da vida da pessoa e da sociedade. Da ligação entre liberdade e verdade depende a firme luta pelos valores éticos no campo da defesa da vida e da sexualidade, contrariando muito pensamento dominante, marcado pela idolatria do mercado e pelo domínio de uma técnica separada de qualquer ponto de referência ético. E neste ponto proclama a unidade de ciência, técnica e ética, indispensável como garantia dos direitos humanos, particularmente dos mais pobres. E aqui se revela a sua insistência na missão social da igreja e na opção pelos pobres que é o transbordar da paixão por Cristo, que incide profundamente na mudança das situações injustas da história. Um papa que avança para as águas mais profundas da santidade e ao mesmo tempo da solidariedade e da justiça; que tem como horizonte não apenas a Igreja, mas o mundo e a vida dos povos.
Outro aspecto inconfundível do pontificado de JPII foi a busca da unidade entre os cristãos e o diálogo com judeus, muçulmanos e fiéis de outras religiões. Os dois encontros de Assis, com lideranças religiosas, constituem uma novidade total no caminho para superar divisões seculares antigas incompreensões. Com grande coragem e humildade pediu perdão em nome dos católicos de todos os tempos, movido unicamente pelo desejo da verdade. Memorável foi também, depois da visita à sinagoga de Roma, o encontro com os hebreus em Jerusalém e sua oração perto do Muro das Lamentações. Entrou em sinagogas e mesquitas, rezou com hebreus e muçulmanos, denunciou a falsidade da teoria do choque de civilizações e, em várias circunstâncias, insistiu sobre o fato que as três religiões abraâmicas são chamadas a ser uma defesa da fé e da civilização contra o domínio de uma visão ateia e puramente mercantilista do mundo.
Tive a oportunidade de acompanhar de perto João Paulo II na visita ao Rio em ’97 e o que mais me impressionou, além dos inesquecíveis momentos do Maracanã e do Aterro, foi a presença cada dia mais maciça do nosso povo mais simples que descia dos morros para cruzar só por um instante o seu olhar e pedir com toda confiança: “Sua bênção, João de Deus”!

Dom Filippo Santoro

Bispo de Petrópolis - RJ